Covid-19: brasileiros em Portugal regressam ao trabalho com o fim da quarentena

Assim como os portugueses, brasileiros que moram no país também estão se adaptando a uma realidade diferente das que conheciam antes do início da pandemia.

Loja de pastéis de nata em Lisboa, Portugal, adota medidas para evitar contágio por novo coronavírus Rafael Marchante/Reuters Em meio ao fim da quarentena, brasileiros residentes em Portugal regressam a uma nova normalidade desde que a economia começou a dar os primeiros passos.

Assim como os portugueses, brasileiros que moram no país também estão se adaptando a uma realidade diferente das que conheciam antes do início da pandemia causada pelo COVID-19.

Os desafios são muitos e diferentes para cada atividade profissional. Cintia Koerper é chef consultora de confeitaria do Hotel Herdade da Malhadinha Nova e explica que a hotelaria e o turismo estão vivendo uma grande crise.

“Fomos o primeiro hotel a fechar portas como medida de prevenção para todos os funcionários e hóspedes.

Ainda não reabrimos e estamos ponderando voltar no início de julho.

Estamos neste momento providenciando medidas, como metodologias de trabalho adaptadas a estes novos tempos.

Temos já o selo criado pelo Turismo de Portugal, “Clean & Safe”, que assegura que todas as medidas estão sendo tomadas de maneira que o cliente sinta-se confiante.

Infelizmente, nosso setor sofrerá muito com a pandemia, o fato de termos direcionado nosso caminho para estadias em casas separadas faz com que o retorno seja seguro e personalizado para todos os nossos cliente”. Setor da restauração é um dos mais atingidos pela pandemia A carioca Andréa Zamorano é dona do restaurante Café do Rio, no centro de Lisboa, que reabriu as portas nesta semana depois de dois meses fechado. “Este início tem sido lento, ou seja, é um conjunto de pequenas normas que nós próprios temos que interiorizar, explicar aos clientes, adaptar o espaço.

Eu acredito que já conseguimos cumprir todos os requisitos necessários para que o cliente possa frequentar o nosso espaço.

No entanto, a automatização destes gestos fará também com que o processo se torne mais fácil ao longo do tempo.

Isso agora é uma questão de repetirmos estes gestos cotidianamente, automaticamente, até que eles se naturalizem em nós”, explica. São muitas as novas normas a seguir entre elas, o uso obrigatório de máscaras não só pelos colaboradores do restaurante, como pelos clientes, e a redução da capacidade de ocupação do restaurante para a metade.

Mas Andrea acredita que essas medidas são fundamentais para a sobrevivência dos restaurantes.

“Quanto às medidas impostas pelo governo, eu acho que elas são absolutamente necessárias.

Nós ficamos dois meses de portas fechadas, assim como todo o setor de restaurantes.

Estamos agora neste processo de reabertura e, apesar destas medidas serem bastante restritivas e terem um impacto direto no nosso lucro, elas são necessárias, porque é uma forma de consolidar esta aprendizagem e estes novos gestos que tem de ser interiorizados para que em um futuro próximo nós não tenhamos que parar uma outra vez”, diz Andréa. Flávia Motta é consultora imobiliária há dois anos e meio e explica que, apesar da pandemia, o setor sempre esteve ativo, principalmente para estrangeiros que querem investir em Portugal.

“A retomada do mercado imobiliário está acontecendo de forma gradual nesta fase de desconfinamento em Portugal.

Cada agência está definindo as suas próprias regras de abertura, mas como é um mercado que tem muito uma dinâmica de estar na rua e não estar fechado num escritório, mesmo durante a pandemia houve alguma procura por parte dos clientes, algumas pessoas decidiram avançar com negócios que tinha em vista e que não quiseram esperar para retomar os planos de investimento em Portugal”, explica. Eloisa Soares mora em Portugal há treze anos e meio, trabalhando como esteticista e não via a hora de regressar ao trabalho.

“Depois desse tempo parada foi muito bom o regresso, as clientes estão muito animadas e tenho sempre trabalho.

Tivemos de adotar algumas medidas novas, como por exemplo, assim que as clientes entram, passam logo o desinfetante nas mãos e tudo é descartável”, garante. Desconfinamento tem sido laboratório para brasileiros em Portugal A carioca Roberta Bevilácqua, designer floral, está em Portugal desde 2018 e tinha no setor da hotelaria, restauração e eventos os principais clientes.

Mas com o estado de emergência decretado pelo governo, viu todos desaparecerem durante os meses de confinamento e aproveitou o tempo para criar novas estratégias.

“Em um primeiro momento, criamos estratégias para enfrentar a situação.

Em um segundo momento, percebemos que os pedidos para ramos de flores e plantas para a casa começaram a surgir, pois as pessoas começaram a se voltar mais para a família, casa e bem-estar.

Esta é a nossa aposta no momento, pois percebemos um novo braço comercial que até então não explorávamos.

O desconfinamento tem sido um laboratório”, explica. Em Portugal desde 2004, Carlos Ribeiro é salva-vidas nas piscinas municipais de Lisboa, fechadas desde março.

Apesar do medo de contágio, está empenhado em voltar a levar atividades físicas à comunidade.

“Visto que é uma coisa muito preocupante, pois o vírus se propaga muito nas piscinas, o contágio é muito alto e o risco, grande, estamos vendo formas de fazer atividades fora das piscinas, ao ar livre”.

Ele acrescenta: “Temos receio de nos contaminarmos ou de contaminar as pessoas mais idosas, que são muitas nas piscinas municipais, mas seguimos em frente com todo o cuidado e responsabilidade”. A cantora Luciana Araújo não sabe quando poderá se apresentar novamente em uma casa de espetáculos ou eventos.

Sem nenhum show marcado para os próximos meses, ela acredita que é um momento para os artistas se reinventarem.

“É um momento complicado, mas eu acho que é um momento de ajudar.

Do lado dos músicos, vamos nos apresentar da maneira que der, virtualmente que seja”, afirma. Raquel Lopes trabalha no setor de vinhos e diz que o retorno à normalidade também está sendo lento.

“A demanda não é comparável ao ciclo que se encerrou em março.

 O setor ainda não abriu 100% e muitos provavelmente não abrirão.

Ainda assistimos os empresários, proprietários de restaurantes, a se adaptarem às novas regras. Procuramos facilitar as compras e pagamentos, lançando campanhas em parceria com vinícolas e restaurantes.

Ou seja, procuramos desenvolver ações “below the line”, dirigidas aos nossos clientes, com objetivo que reconquistem seus consumidores.

O futuro aparece muito incerto, pois não depende exclusivamente da vontade dos proprietários de restaurantes, mas sim de todo um contexto mundial”. Hospitais voltam a fazer cirurgias e salões de cabeleireiros abrem as portas Enfermeira em um hospital público, Taline Paixão já vê mudanças no dia- a- dia desde o fim do estado de emergência.

“Nós agora, coisa de três semanas, regressamos com as nossas cirurgias programadas que tinham ficado suspensas, inclusive cirurgias urgentes, mas temos tido esperança e convicção que possamos regressar à normalidade e temos tudo preparado para que isso aconteça”, afirma a enfermeira. A baiana Lúcia Fernandes tem um salão de cabeleireiros, em Cascais, que também esteve fechado por dois meses.

Os prejuízos foram altos mas, apesar das dificuldades e despesas com a implementação de várias medidas estabelecidas pela Direção-Geral de Saúde (DGS), ela está otimista.

“Eu tive um grande prejuízo, muito alto mesmo, pois estive muito tempo parada com o salão fechado, sem clientes, sem receita e com contas que não param de chegar, mas temos que olhar pra frente, trabalhar com disciplina, seguindo as normas do Ministério da Saúde.

Sem medo e com a mente positiva que tudo vai ficar bem!” Initial plugin text
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